09/03/10 - Ser ou não ser sustentável, eis a questão!
A sociedade moderna está cada vez mais atenta à forma como as empresas realizam seus negócios. Quem estuda as tendências do mercado sabe que os
consumidores aumentaram seus níveis de exigência no tocante à ética e transparência das empresas no relacionamento com seus stakeholders em questões
de sustentabilidade e governança.
Não obstante o movimento nessa direção, muitos executivos permanecem apegados a uma visão de negócios que se
limita à obtenção do lucro direto. Para eles, a necessidade de tornar o negócio sustentável é algo desvinculado de objetivos comerciais. O cuidado com
o meio ambiente, por exemplo, é encarado como um elemento gerador de custos -- e, como tal, constitui um empecilho à competitividade. Na opinião
desses gestores, as “políticas verdes” da empresa podem entrar, quando muito, no âmbito do marketing ou das ações sociais.
Um artigo publicado
recentemente pela revista da Universidade de Harvard traz as conclusões do professor C.K. Prahalad e dos consultores M.R. Rangaswami, e Ram Nidumolu.
Eles estudaram 30 empresas de grande porte e constataram que a busca por soluções ambientalmente corretas estimula a inovação. Descobriram também que
a produção verde minimiza custos: os investimentos necessários à implantação de métodos de produção mais limpa e de mecanismos voltados a economizar
insumos são compensados pela consequente redução de gastos.
As inovações organizacionais e tecnológicas inerentes a uma empresa sustentável
são, portanto, fontes de lucro e de receita. Ao repensar produtos, tecnologias, processos e modelos de negócio, o gestor adquire vantagem
competitiva.
Prahalad, Rangaswami e Nidumolu apontaram os cinco passos que devem nortear as ações das empresas. São eles: ajustar-se à
legislação vigente e adequar-se às normas e aos códigos de adesão facultativa, criados por entidades não governamentais e associações, vendo tais
normas como uma orientação e não como um fator impeditivo; fazer com que a cadeia de valores da empresa seja sustentável; criar produtos e serviços
sustentáveis; desenvolver modelos de negócios baseados na sustentabilidade; e ter ações proativas, antecipando-se às tendências e ajudando a construir
o futuro. “Práticas inovadoras mudam os paradigmas existentes”, afirmam os autores.
A visão dos articulistas se alinha à teoria do triple
bottom line, desenvolvida pelo economista inglês John Elkington. De acordo com essa abordagem, a viabilidade econômica, a consciência ambiental e a
responsabilidade social compõem o tripé conceitual que serve de base a todas as práticas de desenvolvimento sustentável.
A caminhada rumo a um
modelo produtivo que valorize o ser humano e o meio ambiente, sem abrir mão do lucro e da geração de riquezas, é irreversível. E o dilema hamletiano
proposto no título deste artigo – ser ou não ser sustentável – deve ser substituído por outro tipo de atitude: a convicção de que devemos, sim, ser
sustentáveis, pois somente as empresas que se alinharem aos novos paradigmas serão efetivamente bem-sucedidas.
Ieda Novais*
* Ieda
Novais é diretora corporativa da BDO, quinta maior empresa do mundo em auditoria, tax e advisory services
**As opiniões dos artigos/colunistas
aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou
quaisquer outros envolvidos nesta publicação
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